Salvador foi criado em 1549, localizado na Ponta da Baía de Todos os Santos e serve de caminho para as Índias por causa das correntes marítimas favoráveis para o Oceano Atlântico, vai até o Cabo Verde e daí até a China.
Antes de 1500,
durante três séculos, Salvador era importante por ser uma capital econômica,
política, administrativa e de guerra, também um entreposto comercial.
Uma cidadela
protegida por muros e acessível somente por duas portas: São Bento e a do
Carmo, do lado de foros várias aldeias indígenas e roças colonos.
Santa Amaro no século
XIX existiam vias terrestres que interligavam ao Brasil: do Maranhão
(atravessando o sertão) e de Minas Gerais tinham cidades como entroncamento e
possibilitou que funcionasse como um importante entreposto comercial,
principalmente porto açucareiro, do Recôncavo.
Vale lembrar que a
minha cidade foi fundada em 1557, ao lado do Rio Subaé, a cidade foi doada a
Fernão Rodrigues Castelo Branco, no ano seguinte o mesmo doou a Francisco de Sá
que construiu o Engenho Real de Sergipe, falecendo antes do seu pai Mendes de
Sá, que passou o território para sua filha Felipa de Sá.
Felipa de Sá vendeu
aos monges que construíram a capela de Santo Amaro, no ano seguinte construíram
a Igreja de Nossa Senhora da Purificação, este templo ruiu e em 1706 foi
iniciado a construção atual da igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação.
Santo Amaro desde o
século XVI até o século XX a economia principal era a cana-de-açúcar onde
existiam 61 engenhos funcionando na região, esta agrícola era favorita e
cultivada pela exuberância das terras do massapê, que vem sendo explorada há
quase 400 anos e por volta de 1870 restaram 31 engenhos.
As primeiras sementes
da cana-de-açúcar vieram da Austrália, trazida por Mem de Sá para serem
plantada no Engenho do Conde em Santo Amaro.
A cana-de-açúcar é
uma atividade acelerada com um mecanismo primário e grosseiro, braços fortes
dos escravos a quem devem as grandes fortunas dos senhores de engenhos. Sendo
assim necessário para cada engenho no mínimo 200 escravos, na época os escravos
chegavam contrabandeados para Santo Amaro através de saveiros, canoas e barcos
a remo para trabalhar na produção da cana-de-açúcar, uma vez que cada engenho
era um centro de intensa vida com trabalho no preparo do açúcar e nos transportes
aos mercados.
Em março começava-se
o plantio da cana e em setembro era o período da colheita, essa atividade
durante esse período os escravos e demais empregadores do engenho não tinham o
direito de ausentar-se do local, trabalhavam dia e noite sem cessar,
contribuindo para o progresso de nossa terra.
Era na Rua Ferreira
Bandeira conhecido por estrada dos carros onde os carros de boi faziam
transportes da cana-de-açúcar e dos escravos que residiam nas fazendas e nos
engenhos, também a cana era transportada de Santo Amaro para Salvador e outras
cidades através da via ferroviária nos vagões dos trens.
A crise atingiu a
produção da cana a partir da segunda metade do século XIX, por falta de crédito
dos donos de engenhos.
Em 1885 uma epidemia
de cólera morbus a qual se alastrou rapidamente por quase todas as províncias
do País.
Na Bahia a situação
mais grave era a de Santo Amaro da Purificação o governo tomou as providências
cabíveis, mas a terrível doença ameaçava Santo Amaro e redondezas, a cólera havia
matado mais de 40 mil baianos, dos quais 5 mil em Santo Amaro.
A minha cidade que
apesar das mudanças de costume decorrentes do progresso, é ainda hoje uma
cidade essencialmente possui um vasto acervo patrimonial em razão da sua
trajetória histórica, tais como, o Solar Paraíso, o Museu, Convento dos
Humildes. O Solar de Bijú, o Solar Araújo Pinho de arquitetura colonial, a Casa
do Samba.
É uma cidade
religiosa, suas festas como: Maculelê, Festa do Bembé do Mercado (Candomblé)
Capoeira, Samba de Roda, Trilhos Urbanos, Lavagem da Purificação Festa de 02 de
Fevereiro, Procissão de Nossa Senhora da Purificação etc.
A minha cidade hoje é
famosa nacionalmente e internacionalmente por ter sido o local de nascimento
dos cantores Caetano Veloso e Maria Bethânia. Em 2011 a cidade perdeu uma das
filhas mais ilustres aos 105 anos, Dona Canô, mãe de Caetano e Maria Bethânia,
figura representativa da nossa cidade, temos outros ilustres Santamarense,
alguns adotados pela cidade que ajudaram no seu desenvolvimento e reconhecimento
político, intelectual e cultural como Zilda Paim, Padre Fenelon Costa, Adroaldo
Ribeiro Costa, Teodoro Sampaio, dona Edith do Prato, Jorge Portugal, Roberto
Mendes e outros cada um exercendo o seu papel dentro da história da “Leal e
Benemérita” cidade de Santo Amaro da Purificação.
ENTREVISTA - 1 Sr. Antônio Mário
Segundo o relato do
morador de Santo Amaro Sr.
Antônio Mário, de 72 anos de idade, relatou dos fatos marcantes ocorridos em
Santo Amaro da Purificação, foi o acontecimento muito triste, há muitos anos
atrás com a explosão das barracas de fogos no mercado municipal, onde morreram
várias pessoas, outras ficaram mutiladas. Infelizmente até hoje existem pessoas
deficientes decorrentes dessa explosão.
Outro acontecimento
que ocorreu foi a enchente há 51 anos, onde as chuvas foram muito fortes em poucas horas, as águas do Rio
Subaé invadiram as ruas e as casas, principalmente os bairros como do Rosário, Sacramento, Bonfim,
Derba e Trapiche.
A Praça da Matriz e a
Igreja da Cidade foram tomadas pelas águas do Rio Subaé. Muitas pessoas ficaram
desabrigadas, inclusive onde eu morava que era bem distante desse rio, causando
um grande transtorno para nossa cidade, ficamos sem energia, sem água. Foi
necessária a intervenção dos governos do estadual e federal.
Ainda podemos citar
outro fato marcante, foi o acidente da fábrica de chumbo, que contaminou muitas
pessoas e outras morreram. Ainda existem pessoas com chumbo no organismo e o governo do estado não deu
assistência até hoje.
Vamos relembrar
fatos alegre a festa da padroeira Nossa Senhora da Purificação onde acontecem
todos os anos no início de fevereiro, na época os moradores da classe baixa se preocupavam, pois queriam participar da festa, eles compravam
roupas, sapatos e tecidos nas lojas pagava o ano todo, nessa época não existia
crédito, eles pagavam suas compras mensalmente através de anotações como, por
exemplo, caderneta, para que o familiar participasse da festa.
Enquanto a classe
tinha um poder aquisitivo bem alto que existia a possibilidade de não se
preocupar e também participava da festa.
A parte cultural nós
temos os compositores e cantores Jorge Portugal, Roberto Mendes e Dr. José
Silveira que é um grande médico conhecido mundialmente, temos o Trilho Urbano
que também a parte folclórica de
Santo Amaro, a Casa de Samba já é mais recente que é muita frequentada.
Hoje o
desenvolvimento da nossa cidade é pouquíssimo poderia até com os nomes que
temos os filhos de renome de Santo Amaro como Caetano Veloso e Maria Bethânia
não se preocupam com a nossa terra, eles tem poderes para adquirir recursos e
ajudar a nossa cidade.
A cidade ficou muito
resumida só tem duas
fábricas de papéis, a Bacraft e a Indústria de Papel de Santo Amaro. Há anos
atrás nós tínhamos engenhos de cana-de-açúcar, tínhamos vários alambiques e
destilarias hoje estão desativadas era fonte de renda, empregava os moradores
da cidade, hoje nós não temos praticamente nada há não serem essas fábricas que
citei, me lembro de também da fábrica de arroz onde eu trabalhei há 43 anos fazia o
refino do arroz, hoje ela não existe.
A cidade sobrevive
com essa pouca colocação que eu citei, tratando-se de emprego e renda o povo de
Santo Amaro sobrevive do comércio e do mercado. Os feirantes vêm de outras
localidades, as áreas próximas da cidade para venderem suas mercadorias na
feira que acontece no sábado e na segunda-feira.
O comércio de Santo
Amaro é muito resumido, são poucos que sobrevivem desse comércio.
ENTREVISTA -2 D. Amélia.
A cidade de Santo Amaro era uma cidade boa e tranquila de se morar. Hoje a entrevistada tem 76 de anos de idade e gostava de caminhar pelas ruas da cidade, pela beira do rio. Algumas coisas não evoluíram, como as casas que continuam as mesmas.
Ela gostava bastante
da cidade, porque não tinha tanta violência como hoje, pois seus moradores
sentavam em frente às suas casas para prosear. Hoje a cidade está perdendo a
essência.
Muitos moradores
foram embora porque não tinham perspectivas, não tinham futuro melhor. Vivíamos
na esperança de melhoras, que foram poucas. Até os hospitais hoje em dia estão
precários. Ela se sente muito triste pela cidade não ter evoluído.
REFERÊNCIAS
PAIM Zilda, Isto é Santo Amaro. 3ª edição- Salvador ,Academia de Letras, 2005. 230 pág.
VIDA E PASSADO DE SANTO AMARO, Herundino da Costa Leal, Imprensa Oficial da Bahia, Fevereiro de 1950.